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29 de fevereiro, 2024

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Pontos fortes e fracos sobre o argumento cosmológico de Kalam

argumento cosmológico de Kalam

O argumento cosmológico de Kalam, que tem suas raízes na filosofia islâmica medieval e foi popularizado no Ocidente pelo filósofo cristão William Lane Craig, é um dos mais vigorosos argumentos a favor da existência de Deus. Entretanto, como qualquer argumento filosófico, ele possui forças e fraquezas que merecem uma análise mais aprofundada.

O argumento cosmológico de Kalam é um argumento modal que pode ser resumido da seguinte maneira:

  • Tudo que começa a existir tem uma causa;
  • O universo começou a existir;
  • Portanto, o universo tem uma causa.

Em primeiro lugar, vamos examinar os pontos fortes deste argumento.

Pontos Fortes

  • Simplicidade e clareza lógica: O argumento cosmológico de Kalam se destaca por sua simplicidade e clareza lógica. Ele é composto por duas premissas claras e diretas que levam a uma conclusão. Se aceitarmos as duas premissas, então a conclusão segue-se logicamente, o que torna o argumento válido do ponto de vista lógico.
  • Coerência com a ciência atual: O argumento de Kalam também se alinha com a compreensão atual da ciência cosmológica, que sugere que o universo teve um início finito no tempo, conhecido como o Big Bang. Isso dá suporte à segunda premissa de que o universo começou a existir.
  • Atribuição de causalidade: O argumento fornece uma solução para o problema da causalidade. Na filosofia e na ciência, muitas vezes lutamos com a ideia de que algo pode surgir sem uma causa. O argumento de Kalam ajuda a responder a essa questão, afirmando que o universo, como tudo o que começa a existir, deve ter uma causa.

Agora, passemos para as fraquezas deste argumento.

Fraquezas

  • A questão da primeira premissa: A primeira premissa, “Tudo que começa a existir tem uma causa”, é frequentemente contestada. A ideia de que tudo que começa a existir deve ter uma causa pode parecer intuitivamente verdadeira em nossa experiência cotidiana, mas quando nos voltamos para a física quântica, essa noção se torna menos clara. Certos eventos quânticos parecem ocorrer sem uma causa, o que desafia essa premissa.
  • O problema da causalidade no tempo: O argumento de Kalam assume uma noção de causalidade que se aplica antes do início do universo. No entanto, a noção de “antes” se torna sem sentido se o tempo começou com o universo, conforme sugerido pela teoria do Big Bang. Isso torna difícil conceber o que significaria para o universo ter uma causa.
  • A questão da natureza da causa: Mesmo que aceitemos as duas premissas e concordemos que o universo tem uma causa, o argumento de Kalam não nos diz nada sobre a natureza dessa causa. Poderia ser um deus, poderia ser uma entidade natural ainda desconhecida para a ciência, poderia ser um multiverso – o argumento em si não especifica.

Em conclusão, enquanto o argumento cosmológico de Kalam possui forças significativas, como sua clareza lógica e alinhamento com a ciência atual, ele também tem fraquezas significativas. A premissa de que tudo que começa a existir tem uma causa é discutível, a aplicação da causalidade antes do início do tempo é problemática, e a natureza da causa é deixada sem resposta. Assim como acontece com todos os argumentos filosóficos, vale a pena pesar essas forças e fraquezas ao considerar a persuasão do argumento.

Curiosidades Sobre o Argumento Cosmológico de Kalam

  • Origem do nome “Kalam”: “Kalam” é uma palavra árabe que se traduz como “palavra” ou “discurso”. Em termos filosóficos, é usada para se referir a uma escola de pensamento islâmico que tenta estabelecer as doutrinas religiosas através do raciocínio dialético e lógico. O argumento cosmológico de Kalam recebeu esse nome porque foi desenvolvido dentro desta tradição.
  • História e desenvolvimento: Embora a versão do argumento popularizada por William Lane Craig seja a mais conhecida no Ocidente, a história do argumento cosmológico de Kalam remonta ao filósofo islâmico Al-Ghazali do século XI. Al-Ghazali desenvolveu o argumento de Kalam para combater as ideias do filósofo grego Aristóteles e dos filósofos islâmicos que foram influenciados por ele, que acreditavam que o universo era eterno.
  • O argumento além do teísmo: Enquanto o argumento cosmológico de Kalam é frequentemente usado como uma prova da existência de Deus, ele não é intrinsecamente teísta. Na verdade, é possível usar o argumento para apontar para uma variedade de possíveis “primeiras causas”, incluindo entidades naturais desconhecidas ou mesmo um multiverso. Isso é um reflexo da natureza aberta da filosofia e da capacidade dos argumentos filosóficos de serem usados em diferentes contextos e para diferentes fins.
  • O papel da filosofia na ciência: O argumento de Kalam é um exemplo de como a filosofia pode desempenhar um papel na interpretação e compreensão dos avanços científicos. Por exemplo, enquanto a teoria do Big Bang foi desenvolvida através de métodos científicos, o argumento de Kalam usa essa teoria como parte de um argumento filosófico. Isso mostra como a filosofia e a ciência podem se complementar e trabalhar juntas para explorar algumas das maiores questões que temos sobre o universo e nossa existência.

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Redação Freud Online

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